Revista “POP Rua em PE” é lançada como espaço colaborativo de comunicação sobre a situação de rua em Pernambuco

Primeira edição reúne informação, participação social, experiências de políticas públicas e produções construídas em oficinas, buscando ampliar a presença das pessoas em situação de rua no debate público.
Pernambuco ganhou, em setembro de 2026, uma nova iniciativa de comunicação dedicada à população em situação de rua. A primeira edição da POP Rua em PE – Revista Digital Colaborativa reúne reportagens, dados, entrevistas, relatos, poesia, fotografias, colagens e outras produções visuais para abordar diferentes dimensões da situação de rua no estado. A publicação se apresenta como um espaço de comunicação construído a partir da participação de militantes, trabalhadores, pesquisadores, organizações sociais e das próprias pessoas atingidas pelas questões que atravessam a vida nas ruas.
No editorial, a revista explica que surgiu da percepção de que a situação de rua ainda ocupa pouco espaço no debate público e de que, mesmo quando o tema aparece nos meios de comunicação, nem sempre as pessoas em situação de rua e as questões estruturais relacionadas às suas trajetórias encontram espaço para se expressar. A proposta, segundo a publicação, é justamente ampliar esse debate e reunir diferentes perspectivas sobre a realidade pernambucana. A revista também mantém aberta a possibilidade de colaboração de outras pessoas, por meio do envio de textos e imagens relacionados à situação de rua no estado

A primeira edição foi produzida por uma rede de colaboradores. Os textos são assinados por Ana Alice de Queiroz, João Batista Junior, Jailson Santos e Léo Tenório. As imagens têm contribuições creditadas ao Colaboratório POP Rua – Polo PE, Fanzine Centro Popinho, Grupo Ruas e Praças, Fórum POP Rua PE e Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua de Pernambuco (MNMMR-PE). A revisão é atribuída a Mayara Cristina, Valquiria Xavier e Bruna Borges, e a diagramação a João Batista Junior. No expediente, os responsáveis definem a revista como uma produção “colaborativa e solidária” de militantes da defesa dos direitos da população em situação de rua e informam que a iniciativa não recebeu financiamento e tem distribuição gratuita.
Uma característica importante dessa primeira edição é que a participação não aparece somente como assunto das reportagens. Parte do próprio conteúdo publicado está vinculada a processos coletivos de produção. Um dos exemplos é a Oficina de Fanzine realizada no Centro Popinho, no Recife. A atividade reuniu crianças e adolescentes atendidos pelo serviço, entre eles participantes em situação de rua e em contextos de vulnerabilidade social, que trabalharam com recortes, desenhos, palavras e imagens para expressar experiências, sentimentos e percepções sobre cotidiano, direitos, organização social e políticas públicas. A própria revista credita parte de suas imagens ao Fanzine Centro Popinho.
Ao longo de suas 27 páginas, a primeira edição percorre diferentes aspectos da situação de rua em Pernambuco. Há matérias sobre acesso à água potável e condições de higiene, proteção durante os períodos de chuva, cobertura do Bolsa Família, educação, saúde, esporte, organização social e participação política. A publicação também apresenta e discute o Plano Estadual para a População em Situação de Rua, estruturado em sete eixos que abrangem moradia, saúde, educação, trabalho e renda, garantia de direitos, assistência social e segurança pública. A existência dessa estrutura e o horizonte do plano para 2026-2035 podem ser confirmados no próprio documento oficial disponibilizado pelo Estado.
O lançamento da POP Rua em PE é relevante também porque contribui para a produção de registros sobre experiências que muitas vezes permanecem dispersas entre serviços, movimentos, organizações e espaços de participação. Ao reunir políticas públicas, mobilizações, experiências profissionais e produções construídas junto a pessoas em situação de rua, crianças e adolescentes, a revista passa a funcionar simultaneamente como meio de comunicação e como documento de um determinado momento da organização social e da construção de políticas voltadas a essa população em Pernambuco.
Para o campo da memória sobre a situação de rua, iniciativas dessa natureza têm uma dimensão adicional. Publicações produzidas por movimentos, trabalhadores e pessoas com trajetória de rua ajudam a preservar não somente informações sobre políticas e serviços, mas também linguagens, reivindicações, formas de organização e modos de interpretar a própria realidade. A primeira edição da POP Rua em PE, nesse sentido, registra uma experiência de comunicação que busca deslocar pessoas em situação de rua da condição exclusiva de objeto da notícia para também reconhecê-las como participantes dos processos de produção de narrativas sobre as ruas.
Faça o Dowload da Revista




Comentários