Enfermeiro André Eloy pesquisa população em situação de rua em Foz do Iguaçu

Dissertação reúne dados do Censo municipal e registros de saúde para discutir os desafios do Consultório na Rua em uma região de fronteira.

O enfermeiro André da Silva Eloy dedicou sua pesquisa de mestrado, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), à população em situação de rua de Foz do Iguaçu, no Paraná. O trabalho analisa o perfil sociodemográfico do grupo, reúne evidências sobre saúde e discute o que é necessário para qualificar a atuação do Consultório na Rua.
A dissertação utiliza dados do I Censo da População em Situação de Rua do município, além de registros de saúde e documentos públicos. O levantamento identificou 601 pessoas em agosto de 2025. Entre elas, 67,66% se declararam pretas ou pardas e 76,63% manifestaram desejo de deixar a situação de rua. Para Eloy, esses dados ajudam a orientar políticas públicas, desde que sejam lidos junto às condições de vida e às necessidades das pessoas ouvidas.

Na área da saúde, a pesquisa destaca que 21 das 218 notificações de tuberculose registradas em Foz do Iguaçu em 2025 envolviam pessoas em situação de rua. O trabalho também examina a testagem rápida realizada pelo Consultório na Rua e a situação vacinal de pessoas acompanhadas pela equipe. Os resultados apontam para a importância da busca ativa, da prevenção e, sobretudo, da continuidade do cuidado após o primeiro atendimento.
A localização de Foz do Iguaçu na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina acrescenta desafios a esse trabalho. A circulação de pessoas, as questões de documentação e a dificuldade de manter contato com quem se desloca pelo território exigem articulação entre serviços de saúde e outras políticas públicas. A pesquisa ressalta, porém, que a migração não deve ser tratada como causa da situação de rua.

Uma das conclusões centrais da dissertação é que a presença de uma equipe no território, por si só, não garante cuidado contínuo. Para acompanhar tratamentos e assegurar o retorno dos encaminhamentos, o Consultório na Rua precisa atuar em conjunto com a atenção básica, a vigilância em saúde, a assistência social e as políticas de moradia e proteção social.
O estudo também chama atenção para um limite dos dados disponíveis: o Censo conta pessoas, enquanto os registros de saúde podem contar casos, testes ou atendimentos. Essas informações ajudam a reconhecer prioridades, mas não podem ser somadas como se descrevessem o mesmo grupo. Ao explicitar essa diferença, a pesquisa de Eloy oferece um caminho para transformar dados locais em respostas públicas mais consistentes.
Acesse a pesquisa.




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